Nos últimos dois dias, pelo menos três carros pegaram fogo em cidades da Região dos Lagos, levantando um alerta sobre a importância da manutenção preventiva. As situações chamaram atenção pela repetição e rapidez dos casos.
Em Araruama, na altura de Iguabinha, imagens que circularam nas redes sociais mostram um carro tomado pelas chamas. Em Rio das Ostras, um segundo incêndio ocorreu na Avenida das Flores, no bairro Âncora — o veículo ardia enquanto moradores acionavam o Corpo de Bombeiros. Já em Cabo Frio, um automóvel da Secretaria de Saúde pegou fogo no Centro nesta terça-feira.
Em todos os episódios, o Corpo de Bombeiros foi chamado e conseguiu controlar as chamas. Não houve feridos, mas os veículos ficaram completamente destruídos.

Especialistas afirmam que incêndios veiculares não são casos isolados e costumam ter origem mecânica ou elétrica. Cabo Frio registrou nos últimos anos um aumento nas ocorrências, geralmente associadas ao envelhecimento da frota e à falta de manutenção básica.
O mecânico Nereu Ramos, que há 25 anos atua no setor automotivo em Cabo Frio, explica que o problema costuma começar de forma silenciosa.
“A maioria dos incêndios que atendemos aqui na oficina começa com vazamento de combustível ou falha no sistema elétrico. É aquela mangueira ressecada, o fio desencapado, a bomba de combustível trabalhando fora do padrão. O motorista só percebe quando a fumaça aparece, e aí já é tarde”, afirma Nereu.
Segundo ele, veículos mais antigos e com manutenção irregular são os mais vulneráveis:
“O carro de dez, quinze anos precisa de uma atenção especial. Muita gente acha que fazer manutenção é gasto, mas é investimento. Se a pessoa ignora um cheiro de gasolina ou um superaquecimento, está correndo um risco enorme”, completa.
Por que um carro pega fogo?
Entre as causas mais comuns apontadas por técnicos e oficinas da região estão:
- Vazamentos de combustível (principal causa), geralmente por mangueiras ressecadas ou conexões rompidas;
- Curto-circuitos na fiação elétrica, muitas vezes provocados por adaptações mal feitas;
- Superaquecimento do motor, que pode provocar combustão de componentes plásticos;
- Instalação de acessórios irregulares, como som automotivo e faróis auxiliares;
- Falta de limpeza no compartimento do motor, acumulando óleo e resíduos inflamáveis.
Como evitar esse tipo de ocorrência
Nereu recomenda medidas simples, mas essenciais:
“O motorista tem que observar qualquer cheiro diferente, vazamento no chão da garagem, dificuldade para dar partida. Chegou na oficina, a gente resolve em pouco tempo. Mas se deixar passar, vira um prejuízo total”, alerta o mecânico.
Entre as recomendações:
- Revisão completa a cada 10 mil km ou 6 meses;
- Troca periódica de mangueiras, filtros e componentes do sistema de combustível;
- Conferência da parte elétrica, especialmente em carros com acessórios instalados;
- Verificação do sistema de arrefecimento para evitar superaquecimento;
- Manter um extintor portátil no carro, mesmo não sendo mais obrigatório por lei — pode ajudar nos primeiros segundos do incêndio.
Apesar dos três casos desta semana não terem deixado feridos, os especialistas reforçam que a prevenção é sempre o melhor caminho. “Carro não pega fogo do nada. Ele dá sinais. O problema é que muita gente ignora”, resume Nereu Ramos.

