A defesa do ex-deputado estadual Paulo Melo ganhou novos elementos públicos nesta quinta-feira (8), após a divulgação de vídeos nas redes sociais em que familiares e pessoas próximas rebatem as acusações de abuso sexual feitas por sua neta, Maria Clara Almeida Melo de Sá, de 21 anos. O caso é investigado pelas autoridades do Rio de Janeiro e tramita sob segredo de justiça.
Em nota oficial, Paulo Melo negou de forma categórica as acusações e afirmou que a denúncia teria motivação política. Segundo o ex-parlamentar, depoimentos já anexados ao inquérito — incluindo os da mãe e da avó materna da denunciante — indicariam que Maria Clara teria admitido, em conversas familiares, que os relatos não corresponderiam à verdade. A defesa sustenta ainda que a jovem estaria sendo manipulada por terceiros com interesse em desgastar sua imagem às vésperas do ano eleitoral.
Além da manifestação formal, a irmã mais velha de Maria Clara, Sheyla Melo, também se pronunciou publicamente em vídeo. Sheyla afirmou que conviveu de maneira próxima e constante com o avô desde a infância e disse nunca ter presenciado qualquer comportamento inadequado por parte dele ou do próprio pai. Segundo ela, a denunciante não participava com frequência do convívio familiar. “Eu não consigo me recordar de uma só vez em que a Maria Clara estava presente nesses momentos. Ela nunca esteve com a gente”, declarou.

Outro vídeo que repercutiu nas redes sociais foi gravado pela mãe de uma das netas de Paulo Melo. No depoimento, ela relatou manter uma boa relação com o ex-deputado e afirmou que a presença de crianças sempre foi comum na fazenda da família. Segundo ela, nunca houve qualquer situação que despertasse desconfiança e sempre se sentiu segura em relação ao tratamento dado à sua filha. No vídeo, a mulher afirma ainda que considera Paulo Melo e seus familiares “pessoas maravilhosas” e avalia que a denúncia causa prejuízos profundos a toda a família.
A denúncia veio a público após Maria Clara procurar a Ouvidoria da Mulher do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Em vídeo divulgado nas redes sociais, a jovem afirmou que teria sido vítima de abusos desde os cinco anos de idade e disse que decidiu denunciar após anos de acompanhamento terapêutico. “Eu não podia mais viver afogada na culpa de algo que não era minha culpa”, afirmou.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil passou a reunir versões divergentes. A mãe e a avó materna da jovem prestaram depoimentos negando qualquer indício de abuso à época dos fatos narrados. Essas declarações, assim como os novos vídeos divulgados por familiares e pessoas próximas, estão sendo analisadas pelas autoridades.
O inquérito segue em andamento, com a oitiva de testemunhas e avaliação técnica dos elementos reunidos. Por tramitar sob segredo de justiça, detalhes adicionais não foram divulgados, e as autoridades reforçam que o direito de defesa dos citados está sendo integralmente garantido.

