A justiça mandou bloquear os bens dos responsáveis por duas lanchas que explodiram, em Cabo Frio, em maio e junho, deixando dois mortos e 15 feridos. O pedido de bloqueio foi feito pela Polícia Civil de Cabo Frio, que investiga os casos.
O primeiro caso a ser decidido foi o acidente com a embarcação “A MAR I”, no dia 10 de maio. Ela pegou fogo no Canal do Itajuru, na altura do bairro da Passagem. Uma família de Minas Gerais, dois adultos e 3 crianças, tiveram ferimentos graves e passaram cerca de um mês em tratamento em Araruama.
A lancha tinha seguro. O dono da embarcação e o marinheiro respondem por lesão corporal com perigo de vida, incêndio culposo e atentado contra a segurança de transporte marítimo. O caso tramita, em sigilo, na 2ª Vara Criminal de Cabo Frio.

Até o momento, as vítimas desse acidente não receberam qualquer tipo de indenização, inclusive, para tratamento médico.
O segundo caso é o da lancha “EYE SEA”, que explodiu no dia 17 de junho, na altura da Ilha do Japonês. Uma criança de 4 anos e um empresário de 36 anos morreram. Outras oito pessoas ficaram feridas, entre elas, uma gestante. As vítimas moram no Espírito Santo. Todos já tiveram alta médica e ninguém foi indenizado.
A embarcação não possuía seguro. O dona da lancha e o o marinheiro são investigados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, lesão corporal com perigo à vida, incêndio culposo e atentado contra a segurança de transporte marítimo. O caso segue em tramitação na 1ª Vara Criminal de Cabo Frio.
Como o caso segue em segredo de justiça, a reportagem não conseguiu contato com os proprietários e marinheiros investigados.
A notícia foi comemorada por Valquíria Sampaio, avó do pequeno Davi Freire, de 4 anos, que morreu no acidente do dia 17 de junho. Ela é mãe da gestante que também ficou ferida na explosão. Segundo Valquíria, o estado de saúde dela ainda é considerado delicado. “Há cerca de 20 dias, ela teve uma complicação e quase perdeu o bebê”, contou Valquíria. A filha dela está no 5º mês de gestação de uma menina, que já ganhou o nome de Cecília.
“Mas ainda continuamos sem qualquer tipo de ajuda ou contato de alguém. Todo o gasto no Rio e aqui no Espírito Santo é nosso: remédios, hospitais, combustível .. não recebemos, sequer, uma ligação. Só a Polícia Civil entrou em contato”, disse Valquíria.

