Um bar localizado no Boulevard Canal, em Cabo Frio, denunciou ter sido alvo de uma ação considerada truculenta por parte da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU) durante uma abordagem recente no local.
Segundo os responsáveis pelo estabelecimento, a intervenção terminou com clientes atingidos por spray de pimenta e gás, além de danos ao mobiliário, como mesas e cadeiras quebradas dentro do bar.
De acordo com relatos e imagens divulgadas nas redes sociais, frequentadores teriam sido atingidos durante a abordagem, o que provocou tumulto no interior do estabelecimento.

O bar funciona há cerca de nove anos no local, possui alvará de funcionamento e, segundo os proprietários, opera de forma regularizada.
Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Cabo Frio informou que os agentes da ROMU envolvidos foram afastados e que a Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública de Cabo Frio instaurou um procedimento para apurar a conduta dos guardas-civis municipais.
O episódio também mobilizou organizações da sociedade civil. O Grupo Iguais divulgou uma nota pública repudiando a ação da Guarda Civil Municipal.
Segundo o grupo, imagens e relatos de vítimas apontam para uma abordagem extremamente violenta, com uso de spray de pimenta e agressões com cassetetes, que teriam deixado pessoas feridas, com hematomas e outros machucados.
O coletivo afirma que o bar é conhecido por ser frequentado por grande parte do público LGBTQIAPN+ da cidade, o que torna o episódio ainda mais preocupante.
De acordo com o presidente do grupo, Rodolpho Campbell, integrantes da entidade já entraram em contato com algumas das vítimas, incluindo pessoas LGBTQIAPN+ que relatam ter sido agredidas.
O grupo informou ainda que está oferecendo apoio para registro de ocorrência, acompanhamento institucional e encaminhamento para suporte psicológico, caso necessário.
Além disso, o coletivo afirmou que acionou a Defensoria Pública do Estado e pretende oficializar o comando da Guarda Municipal e a Delegacia de Polícia, solicitando investigação rigorosa e eventual punição aos agentes que tenham cometido abuso de autoridade.
Outro ponto levantado na nota é que outros bares da cidade que funcionam em horários semelhantes não teriam sido alvo de ações semelhantes, o que, segundo o grupo, levanta a necessidade de uma apuração séria sobre possível motivação discriminatória ou LGBTIfóbica.
“Abuso de autoridade e violência não podem ser normalizados”, destacou o coletivo, afirmando que continuará acompanhando o caso e cobrando providências.
A prefeitura informou que o caso segue em apuração.

