Saída ocorre na véspera da retomada do julgamento que pode torná-lo inelegível; novo governador será escolhido pela Alerj
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (23), um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação de seu mandato e à declaração de inelegibilidade.
A carta de renúncia foi entregue à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) na noite desta segunda-feira. Mais cedo, Castro participou de uma cerimônia de despedida no Palácio Guanabara, onde fez um balanço do governo e confirmou que pretende disputar o Senado em 2026.

A saída abre caminho para a realização de uma eleição indireta na Alerj, que escolherá um novo governador e vice para cumprir o mandato até o fim de 2026.
Renúncia antes do julgamento
O julgamento no TSE investiga acusações de abuso de poder econômico e político nas eleições de 2022, envolvendo a Fundação Ceperj e a Uerj. O placar está em 2 votos a 0 pela cassação e inelegibilidade, e o julgamento será retomado nesta terça-feira (24).
A renúncia antes da conclusão do julgamento é vista nos bastidores políticos como uma estratégia. Caso o mandato fosse cassado, poderia haver eleição direta no estado, o que reduziria a influência política de Castro na escolha do sucessor.
Mesmo com a renúncia, o processo continua no TSE e ele ainda pode ser declarado inelegível.
Quem assume o governo
Com a saída de Cláudio Castro e a ausência de vice-governador — já que Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado — o Rio entra em situação de dupla vacância.
Nesse caso, quem assume interinamente o governo é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, o desembargador Ricardo Couto de Castro.
Ele terá até 48 horas para convocar a eleição indireta.
Como será a eleição indireta
O novo governador será escolhido pelos 70 deputados estaduais em votação na Alerj, em até 30 dias. A eleição definirá uma chapa com governador e vice para mandato até o fim de 2026.
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), do ministro Luiz Fux, suspendeu trechos da lei estadual que regulamentava essa eleição indireta. Entre as mudanças:
- O voto tende a ser secreto;
- Foi derrubado o prazo de desincompatibilização de 24 horas;
- Passa a valer o prazo de 180 dias para deixar cargos públicos antes da eleição.
Castro pode disputar o Senado?
Apesar da renúncia, Cláudio Castro ainda pode disputar o Senado em 2026. A legislação permite candidatura mesmo com processos em andamento. No entanto, se o TSE condená-lo antes do registro da candidatura, ele pode ficar inelegível por até oito anos.

