Uma lancha foi atingida por um incêndio na tarde deste domingo (11), na região conhecida como Anjo Caído, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. No momento em que o fogo começou, havia crianças a bordo da embarcação, o que gerou preocupação entre moradores, turistas e pessoas que circulavam pelo local.
As chamas e a intensa fumaça puderam ser vistas à distância e chamaram a atenção de quem estava na orla e em embarcações próximas. Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial sobre feridos, nem informações detalhadas sobre as causas do incêndio.
Equipes de resgate foram acionadas, e a ocorrência segue sendo acompanhada pelas autoridades competentes. A reportagem segue em apuração e trará novas atualizações assim que houver informações confirmadas.

Histórico de incêndios em embarcações preocupa
O novo caso reacende o alerta para a segurança no turismo náutico em Cabo Frio. Há cerca de um ano, o município enfrentou uma sequência de três incêndios em lanchas de passeio turístico em menos de 40 dias, deixando mortos e feridos.
O episódio mais grave ocorreu em 17 de junho, na Ilha do Japonês, quando um incêndio, apontado pela Polícia Civil como resultado de imprudência e imperícia, deixou oito turistas feridos, entre eles uma gestante, e resultou na morte de um homem de 36 anos e de uma criança de 4 anos. O dono da lancha e o marinheiro foram indiciados por homicídio culposo, e o caso foi encaminhado ao Ministério Público. Até o momento, não há informação sobre oferecimento de denúncia ou punições no Judiciário.
Antes disso, em maio, um incêndio no Canal do Itajuru deixou seis turistas feridos, incluindo três crianças. Ainda no mesmo mês, outro incidente próximo à Ilha do Papagaio obrigou cinco passageiros a se jogarem no mar para escapar das chamas.
Falta de regulamentação segue sem solução
Apesar da gravidade dos episódios, a legislação que regula o transporte náutico turístico é de 2003 e não abrange diversas atividades comuns na região, como lanchas de passeio, banana boat, motos aquáticas e outros equipamentos recreativos. Um projeto aprovado pela Câmara Municipal no ano passado, que buscava ampliar essa regulamentação, acabou vetado pelo Executivo e posteriormente arquivado.
A Marinha informou, à época dos acidentes, que os casos seriam concluídos em até 90 dias, mas as apurações seguem em andamento, sem prazo definido. Um dos processos ainda aguarda o cumprimento de diligências.
Há uma semana, o Manchete Lagos tenta obter um posicionamento da Prefeitura de Cabo Frio sobre a regulamentação do setor, sem retorno até o momento. A Associação de Turismo Náutico também não respondeu aos questionamentos. Após os episódios, empresários do setor informaram ter promovido capacitações para marinheiros que atuam em passeios turísticos.
Até hoje, as famílias das vítimas fatais dos incêndios anteriores não receberam indenizações relacionadas aos casos.
O incêndio registrado neste domingo reforça a preocupação com a segurança no turismo náutico e a necessidade de fiscalização e regulamentação mais efetivas no município.

