Depois das críticas aos valores cobrados por petiscos e pratos em barracas de praia durante o Réveillon, novas reclamações passaram a envolver também os preços de estacionamentos na Região dos Lagos. As denúncias ganharam força nas redes sociais e reacenderam o debate sobre fiscalização, transparência e possíveis abusos na alta temporada.
Em Armação dos Búzios, um vídeo divulgado por uma internauta mostra um estacionamento próximo à Praia de Geribá cobrando R$ 100 por uma vaga. Segundo o relato, o mesmo local praticava, antes do Réveillon, um valor até três vezes menor. A publicação rapidamente se espalhou nas redes, gerando indignação e questionamentos sobre a ausência de critérios claros para a cobrança.
Em Cabo Frio, onde os preços praticados por barracas também foram alvo de reclamações recentes, o vereador Thiago Vasconcelos, presidente da Comissão de Direitos do Consumidor da Câmara Municipal, divulgou um vídeo informando que encaminhou um ofício ao Procon solicitando fiscalização sobre os valores cobrados durante a alta temporada.

A diretora do Procon de Cabo Frio, Mónica Bonioli, afirmou que comerciantes costumam aproveitar o período de maior movimento para aumentar os ganhos, mas destacou que é necessário equilíbrio na relação de consumo. Ela não informou, no entanto, quando as ações de fiscalização devem ocorrer.
Após a repercussão negativa nas redes sociais, o prefeito de Cabo Frio, Dr. Serginho, chegou a se reunir com barraqueiros do município para discutir os preços praticados e tentar evitar abusos contra consumidores.
Nos últimos dias, cardápios com valores considerados elevados voltaram ao centro do debate público. Fotos atribuídas a uma barraca da Praia de Geribá, em Búzios, viralizaram ao mostrar preços como R$ 150 por uma porção com seis pastéis e até R$ 580 por um prato identificado como “tropical”. A repercussão foi tão grande que o caso ganhou destaque nacional e foi citado no programa “Encontro”, da TV Globo, exibido na manhã desta terça-feira (30).
A divulgação provocou reações distintas. Enquanto muitos internautas criticaram os valores e ironizaram a situação com memes, outros defenderam os estabelecimentos, argumentando que se trata de uma região turística de alto padrão, com custos mais elevados, especialmente no verão.
Além dos preços, o episódio reacendeu cobranças sobre a atuação dos órgãos de defesa do consumidor. Usuários passaram a questionar práticas como consumo mínimo, falta de clareza nas informações e possíveis preços abusivos quando os valores não são informados previamente.
Uma denúncia registrada em Cabo Frio reforçou o debate. Uma moradora relatou ter se sentido coagida em um quiosque da Praia do Forte no último sábado (27). Segundo ela, o grupo foi informado apenas de que seria necessário consumir algo da cozinha, sem definição de valor mínimo. Ao tentar fazer pedidos mais simples, com valores entre R$ 150 e R$ 160, foi informada de que os itens não estavam disponíveis, apesar de ver produtos semelhantes sendo servidos a mesas próximas. De acordo com o relato, as únicas opções oferecidas posteriormente custavam entre R$ 300 e R$ 600, o que levou o grupo a interpretar a situação como imposição de consumo mínimo não informado.
Casos semelhantes vêm sendo relatados por moradores e turistas ao longo da alta temporada. Em outro episódio que ganhou repercussão, um vídeo mostrou uma porção de peixe sendo anunciada por R$ 450 em uma praia de Cabo Frio, valor que também gerou críticas nas redes sociais.
A sucessão de episódios ampliou o debate sobre até que ponto os preços praticados refletem os custos do turismo ou configuram práticas que podem ferir o Código de Defesa do Consumidor. Enquanto isso, a discussão segue intensa nas redes sociais, dividindo opiniões entre quem aceita os valores da alta temporada e quem cobra mais fiscalização e transparência nas praias da Região dos Lagos.

