Superlotação, falta de cinto de segurança, porta pendurada por cordas e risco aos passageiros, crianças e adolescentes. Esses são alguns dos obstáculos perigosos que estudantes de comunidades quilombolas de Cabo Frio precisam enfrentar todos dias para ir à escola, quando o ônibus passa.
O relato é de Regina Severino Soares, presidente do Quilombo Fazenda Espírito Santo, no bairro Pacheco, distrito de Tamoios. Ela afirma que desde o ano passado o ônibus que transporta os estudantes está em situação precária e já chegou a ter um princípio de incêndio com as crianças dentro dele.
As imagens desta reportagem foram registradas na tarde desta quarta-feira (8). Nelas é possível ver quatro crianças sentadas em um mesmo assento sem o cinto de segurança. Botões de encaixe estão quebrados. Onde o cinto funciona, crianças dividem o equipamento em duplas.

O perigo também está na porta do ônibus escolar. Ela é presa por uma corda às ferragens. “A monitora precisa segurar a corda durante toda a viagem para que ela não caia. Hoje (quarta-feira) foram 32 quilômetros nessa situação”, afirmou Regina.
O ônibus, com várias avarias, atende três comunidades quilombolas: Fazenda Espírito Santo, Preto Forró e Maria Romana. Segundo a presidente de um dos quilombos, o atende quando não está com defeito: “os alunos chegam atrasados praticamente todos os dias porque o ônibus vive quebrado com os alunos dentro. Quando chove, também chove dentro do ônibus”, afirma.
Regina mostrou à reportagem do Manchete Lagos os ofícios em que comunica o problema à prefeitura de Cabo Frio. O último, há um mês, solicita providências urgentes. A Defensoria Pública também enviou recomendação ao prefeito Sérgio Luiz Costa Azevedo Filho, em março, para que seja “regularizada a situação precária atual do fornecimento de transporte escolar a essas comunidades”.
O Manchete Lagos pediu um posicionamento à prefeitura de Cabo Frio depois da denúncia. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que adotou medidas imediatas para garantir a segurança dos estudantes, assim que a situação do transporte escolar na região da Agrisa chegou ao conhecimento da gestão.
Segundo a prefeitura, o veículo citado já foi retirado de circulação e substituído por um ônibus de maior capacidade e em plenas condições de uso. As situações registradas, como necessidade de manutenção em cintos de segurança, ajuste na lotação e problema pontual no sistema de fechamento da porta, foram tratadas de forma imediata pelas equipes responsáveis, não sendo admitidas como padrão do serviço prestado.
A Secretaria esclareceu ainda que, em razão de uma readequação emergencial da frota nos últimos dias, houve um aumento temporário no número de alunos em uma das rotas, situação que já foi normalizada. O serviço de transporte escolar na localidade, segundo a prefeitura segue operando regularmente.
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