Nos últimos dias, o Manchete Lagos tem mostrado uma série de problemas enfrentados pela educação pública no Estado do Rio de Janeiro. Entre as principais denúncias estão a falta de professores na metade do ano letivo e o desperdício de livros didáticos, situações que, segundo especialistas, podem causar prejuízos significativos aos estudantes. Nossa equipe ouviu especialistas em educação sobre alguns pontos desse problema que se arrasta há anos.
A pedagoga, psicopedagoga e especialista em aprendizagem Carol Prestes alerta que a ausência de professores compromete diretamente o desempenho dos alunos, especialmente daqueles que se preparam para o Enem e vestibulares.
“Quando uma turma fica sem professor, ela perde continuidade, rotina, orientação, correção de dúvidas e acompanhamento pedagógico. Em disciplinas como Física, Química e Matemática, o conteúdo é cumulativo. Se o aluno não aprende uma etapa, terá dificuldades nas seguintes. O risco é chegar ao dia da prova em desvantagem”, explica.
Para o professor de Direito, pedagogo e especialista em concursos públicos Claudio Galvão, a situação representa uma afronta ao direito constitucional à educação. “A Constituição estabelece como objetivo fundamental a erradicação da pobreza, da marginalização e a redução das desigualdades sociais. Não vejo outra forma de alcançar isso que não seja por meio da educação. Mas onde está o Estado oferecendo o apoio necessário aos professores e alunos? É preciso buscar medidas judiciais para garantir o acesso à educação, inclusive acionando o Ministério Público”, defende.
A jornalista e pré-candidata a deputada estadual Ana Paula Mendes também criticou o cenário encontrado nas escolas estaduais. “É muito triste ver tudo isso. A preocupação com a qualidade da educação parece não estar nem mesmo na lista de prioridades. Ao longo de 20 anos de jornalismo no Estado do Rio, acompanho o sucateamento da educação, a falta de valorização dos profissionais e a ausência de projetos efetivos para mudar essa realidade.”, afirmou.
Enquanto alunos seguem enfrentando salas sem professores e problemas estruturais, cresce a cobrança por medidas urgentes que garantam uma educação pública de qualidade e o cumprimento dos direitos previstos na Constituição. A Secretaria de Educação tem afirmado que tenta resolver a carência oferecendo horas extras ao professores e convocando contratados.

