A Polícia Civil não informou qual bar de Cabo Frio pode ter sido usado para lavar dinheiro do traficante Fhillip da Silva Gregório, o Professor, morto no domingo passado (1). O estabelecimento, que oferece petiscos e tem música ao vivo, estaria entre as seis empresas e 15 pessoas, entre elas a influenciadora Viviane Noronha, esposa do MC Poze do Rodo, são investigadas pela Polícia Civil por suspeita de integrarem o esquema.
O Professor era um dos chefes do Complexo do Alemão, na Zona Norte, e ligado a facção criminosa Comando Vermelho(CV). Além do bar de Cabo Frio, um restaurante de picanha, localizado no município do Rio, também é investigado.
A investigação começou em 2024 e foca nas movimentações financeiras feitas pela quadrilha nos últimos cinco anos. Segundo a polícia, Fhillip estruturou um esquema que envolvia uma rede de laranjas, produtoras de baile funk, e empresas de fachada para escoar os recursos da facção. De acordo com que foi apurado, após uma série de transferências os valores chegavam a Ponta Porã(MS), onde eram usados para adquirir armas, drogas e para financiar novas atividades ilegais.

Na última terça-feira (3), a Polícia Civil deflagrou uma operação para desarticular o núcleo financeiro do Comando Vermelho — responsável, segundo as investigações, por lavar mais de R$ 250 milhões. Além de Professor, os agentes identificaram que Viviane Noronha, esposa do MC Poze do Rodo — solto também nesta terça-feira —, estaria entre os beneficiados pelo esquema. Segundo a investigação, ela teria recebido valores milionários por meio de empresas de fachada, laranjas e produtoras de bailes.
Durante uma entrevista coletiva, nesta terça-feira, na Cidade da Polícia, no Jacaré, os policiais revelaram que um dos operadores do esquema, responsável pelo setor financeiro do Professor e ligado à cúpula da facção, investia o dinheiro do tráfico em produtoras de baile funk e até em um restaurante. Embora estivesse cadastrado no auxílio emergencial, ele movimentou mais de R$ 30 milhões em um ano, segundo a polícia.
— Uma das transações suspeitas envolvia essa produtora e pessoas ligadas ao CV— detalhou na ocasião o delegado Jefferson Ferreira, da Delegacia de Roubos e Furtos.
Procurado para falar sobre o assunto, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que a estrutura de lavagem de dinheiro ligada à organização criminosa Comando Vermelho segue sob investigação da Polícia Civil. E que a 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada aguarda a conclusão das diligências e o envio do relatório final pela autoridade policial.
Influenciadora é intimada
A influenciadora Viviane Noronha foi intimada, nessa quinta-feira (5), a prestar depoimento após acusar a Polícia Civil de ter sumido com as joias do funkeiro durante uma operação de busca e apreensão na casa do casal, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Marido da influenciado, Poze, que deixou o presídio de Bangu 3 na última terça-feira, reagiu à intimação nas redes sociais: “Sai do nosso pé”, disse em um story, enquanto mostrava o documento deixado pelos agentes. O cantor é investigado por apologia ao tráfico e associação criminosa.
Segundo o delegado Moyses Santana, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), toda a operação foi documentada em vídeo, incluindo a apreensão das joias mencionadas por Viviane. Ele afirmou que a influenciadora acompanhou toda a ação e, mesmo assim, fez acusações graves nas redes sociais.
— Ela foi intimada para explicar as acusações de roubo das joias apreendidas, já que a apreensão foi toda filmada, documentada e acompanhada por ela — disse o delegado.

