O mar de Cabo Frio ganhou um brilho incomum nos últimos dias. O fotógrafo esportivo Danillo de Souza registrou e divulgou nas redes sociais imagens de bioluminescência na Praia do Foguete, fenômeno natural que costuma ser observado com maior frequência em Arraial do Cabo, especialmente na Praia Grande e na Praia dos Anjos.
No vídeo publicado por Danilo, é possível ver pontos azulados surgindo conforme as ondas se movimentam — efeito provocado por micro-organismos marinhos capazes de emitir luz. O fotógrafo descreveu em sua postagem as características do fenômeno e explicou, de forma didática, como ele ocorre.
A bioluminescência é produzida quando seres vivos — como certos tipos de plâncton — realizam uma reação química interna envolvendo luciferina, luciferase e oxigênio. O resultado é uma luz fria, geralmente azul ou verde, visível principalmente em noites escuras. No mar, ela costuma aparecer em plânctons, águas-vivas, lulas e outros organismos. Em ambiente terrestre, é o mesmo processo que faz vagalumes brilharem.

O brilho surge como resposta a estímulos. Movimentos das ondas, o deslocamento de peixes e até o toque de banhistas podem ativar o mecanismo de defesa desses micro-organismos, criando o efeito luminoso.
Fenômenos como esse não são inéditos na Região dos Lagos. Em Arraial do Cabo, moradores registraram cenas semelhantes nesta semana na Praia da Graçainha e na Ilha dos Porcos, onde as águas ficaram iluminadas por tonalidades de azul neon. Em geral, as aparições são mais prováveis em noites quentes, com pouca luminosidade e alta concentração de micro-organismos.
Apesar de visualmente impressionante, especialistas destacam que a bioluminescência é um fenômeno natural e pontual, sem relação direta com poluição ou riscos aos banhistas.
O registro na Praia do Foguete reacende o interesse pela ocorrência do fenômeno em Cabo Frio, que ainda é considerado raro no município, mas que tem chamado cada vez mais atenção de moradores, turistas e fotógrafos atentos ao comportamento do mar durante a noite.

